domingo, dezembro 12, 2004

Amamentação...

Na minha segunda posta disse que ia falar sobre a maternidade, mas por falta de tempo ou porque assuntos mais altos se “alevantam”, não o tenho feito.

Assim, resolvi aproveitar um tempinho para voltar a falar no tema.

Resumindo, até agora a minha opinião é que ter um filho é mais fácil do que adoptar um cão! Até aqui os que me conhecem bem, concordam e sabem perfeitamente porque digo isto. A Cyka... ui, ui!

Há duas coisas em que eles são os dois muito parecidos. Quando chega a hora de dormir chega a hora de dormir (a Cyka, como sempre, assim que eu acabei de escrever isto, contrariou o que eu acabei de escrever e levantou-se da cama dela, para correr atrás do dono que foi à cozinha, mas ela é me... – acabou de voltar a deitar-se – é mesmo assim)!

Bem, mas voltemos à maternidade...

Para mim, um dos fantasmas da gravidez foi: será que vou conseguir amamentar?
Eu frequentei um curso de preparação para o parto no Hospital onde tive o ZP e durante o mesmo falámos sobre a amamentação com base em dois conceitos:
- A amamentação “tem de ser” (quem não amamenta é preguiçosa e má mãe – OK, não diziam assim mesmo, mas davam a entender);
- A amamentação é difícil (e é mesmo, eles não nascem ensinados).

Resultado, andava um bocado preocupada, principalmente porque tenho um centro produtor de leite avantajado e de que é que me servia tal coisa se não conseguisse amamentar? Só para me lixar a coluna? Só para que não consiga comprar camisolas na Mango e na Zara, e nesses sítios onde a maior parte das pessoas conseguem comprar roupa?

Então, depois do ZP nascer decidi que tinha de ser... aliás, decidi antes, mas só nessa altura é que pude pôr em prática... até porque andava um bocado preocupada, porque enquanto as minhas “colegas” de pré-parto andavam de discos de amamentação porque deitavam imenso colostro, eu nem vê-lo...

Mas... como eu ia a dizer... decidi que tinha de ser e, na Maternidade, depois das primeiras 18 horas em que o ZP se fartou de beber do biberão, eu e o Pai decidimos que tínhamos de conseguir e assim depois da visita geral, o Z ficou comigo para a visita de pai (ele foi o máximo, ficou comigo o tempo todo das visitas do pai, coisa que estranhei imenso, mas não acontecia com os outros pais – não, não ‘tou a escrever isto porque te acabei de dizer que se querias ler o que estou a escrever viesses ler ao blog, foste mesmo o máximo!) e passámos uma tarde inteira a tentar que o ZP pegasse no peito. É assim, nos cursos pré-parto ensinam uma estratégia para dar de mamar que é: sentarmo-nos numa cadeira, direitas, com os pés assentes no chão e com uma almofada no colo para elevar o bebé, de forma mais fácil, até ao peito. Ora, eu preciso exactamente do contrário. Tenho o peito grande demais, logo preciso de segurar o bebé, o mais baixo possível, de forma confortável, para não o sufocar com o peito. Ah, pois é!
E isto, ninguém ensina na Maternidade, porque uma das coisas de que as pessoas que trabalham na Maternidade em que o ZP nasceu é que as mães nascem ensinadas e o que não sabem aprendam sozinhas, não aprendem sozinhas é porque são preguiçosas. As enfermeiras, quase todas salvo raras e honrosas excepções, não têm tempo, têm de ficar fechadas na salinha delas a conversar ou a dormir...

Havia ainda o problema do ZP ser um bebé muito grande (não com 4 toneladas, como escrevi na segunda posta, mas com 4 kg) e de não poder estar muito tempo sem comer, porque podia ficar hipoglicémico, entrar em coma e morrer. Sim, é assim que nos dizem! Foi assim que decorei esta lengalenga e que passei os primeiros 50 dias do ZP a dar de mamar de 3 em 3 horas, de dia e de noite, primeiro, na Maternidade, com o despertador do telemóvel, e depois em casa com o despertador normal, é a melhor forma... Assim, nunca nos esquecemos...! Sim, assumo que se não tivesse feito assim me esquecia, ele nunca acordava para comer! Nos primeiros quinze dias de vida dele o meu maior problema era acordá-lo para comer, de dia e de noite, depois só de noite. E agora que ele tem 4 meses já só uso o despertador para a primeira refeição da manhã porque como ele, se o deixarem, dorme de seguida da meia-noite ao meio-dia, preciso de pôr o despertador para as sete da manhã para lhe dar de comer...
Resumindo, que a posta vai longa... Consegui que ele pegasse no peito (não no “bique”, como dizia a minha companheira de quarto na maternidade: “Ela não pega no “bique”), mas depois tinha grande dificuldade em mantê-lo acordado o tempo suficiente para ele mamar a quantidade de leite que necessitava. E as enfermeira a espetarem-lhe com biberões.
Havia lá uma enfermeira, que devia ser de um dos países de Leste que me dizia: “O seu Super-Homem (1) tem de comer... Seu Super-Homem muito grande... Ele tem de comer... Se ele não comer, eu pico-lhe o pé(2)...” E farta de ouvir sempre o mesmo, disse-lhe: “ Então, pique que eu quero saber se ele precisa de comer mais ou não”. E ela picou e ele estava hipoglicémico e mandou-me dar-lhe um biberão que o zp bolçou por inteiro porque não gostava do leite... E foi então que tive de fazer uma coisa muito... nem sei como lhe chamar... talvez humilhante, para quem está de fora, mas que até nem custa nada, que foi ir para a ordenha eléctrica, ou seja, para a bomba eléctrica... e foi aí que o meu peito acordou... achou eu... porque como quanto mais se dá, mais se produz... acho que a coisa resultou. Tenho a agradecer à senhora “Pico-lhe o pé” ter-me mandado para a ordenha eléctrica!
(1) Quando o zp nasceu a primeira roupa que vestiu foi um babygrow com o símbolo do super-homem a que toda a gente no hospital achou um piadão.
(2) Fazer o teste da glicémia

É verdade, isto aconteceu no 2º dia do ZP e no terceiro, o dia da alta, o leite já tinha subido. Quando cheguei a casa já não tinha colostro, já tinha leite. Depois é que foi... tirar leite com a bomba manual para o peito não encaroçar, porque a história de mudar de peito a meio da refeição é uma treta... eles adormecem quase sempre antes e é mesmo uma grande chatice... Mas lá andava eu a dar à bomba (a da Chicco é muito fixe, não dói nada), só que tem um problema, fiquei cheia de dores na mão, por causa dela já não estar muito boa de tanto usar o teclado do computador... então, o Z lá dava à bomba por mim...
Só depois, quando fui à primeira consulta do pediatra é que este me ensinou um truque que uso até hoje e que tem resultado às mil maravilhas. Em cada refeição só se usa uma mama, que despeja na totalidade, na outra refeição, despeja-se a outra, que descansa 6 horas e volta a encher. Além disso, ainda me disse uma coisa que contraria o que li na maior parte dos livros, mas que resulta. O tempo ideal para um recém-nascido mamar são 11 minutos (há estudos que o comprovam), mas para não stressar com o minuto a mais, disse-me para dar de mamar durante 15 minutos. E tem resultado. Agora, dou de mamar quase sempre deitada, que é a posição mais confortável para os dois, de uma só mama e durante 20 minutos, porque ele já não é um recém-nascido!

Agora, muito importante para ter leite é:
- descansar bem, principalmente nos primeiros tempos, agora c... nisso;
- comer bem, o truque da sopinha a todas as refeições é o melhor, com muita batata e bem forte...;
- beber muita água (tb se não beberem acordam com uma “agradável” sensação de ressaca, com a boca a saber a papel de música e tudo);
É mesmo verdade, se não cuidarem de vocês, não há leite para ninguém. E até é uma boa forma de evitar as DPP que afectam tanta gente... descansar, descansar, comer, comer, água, água... é a receita.

Mais uma coisa: dói como o caraças, principalmente ao princípio porque é acompanhado com contracções do útero, e dói como o caraças nesta altura porque eles começam a apertar e depois largam como se o mamilo fosse uma rolha e dói! Dói mesmo! Mas não é nada do outro mundo. OK, às vezes, depois de uma refeição parece que tenho uma mola da roupa a apertar o mamilo (nunca pus nenhuma, mas deve ser assim que se dói), mas é bem mais prático do que esterilizar biberões e ter de andar com as latinhas do leite. Mas tb é verdade que estou ansiosa... quero que ele comece a comer outras coisas... a experimentar sabores novos... a conhecer outras coisas para além das minha “bubbies”.
Tá quase! Depois conto-vos como foi a primeira papa!

D.

5 comentários:

Atalaia disse...

Tou a curtir esse relato, apesar de conhecer a maior parte das histórias. Mas falta aí dizer que o miúdo é espectacular e que não tem nada a ver com outros, mais dados a birras e manhas... A única coisa que às vezes o aflige e o deixa impaciente são aquelas cólicas...
E se ele já como, estão os três convidados para irem lá a casa comer uns bifitos (grelhados, poor causa do miúdo) e beber umas cervelojas. Quando é que o benfica joga?
Escuta lá: se o raio do bicho se chama Sica porque raio nos andas-te a enganar este tempo todo com aqueles nomes esquisitos??? Afinal até é facil de dizer!!!

D. disse...

Já sei que conheces a maior parte das histórias, mas eu avisei que ia ser chata...!
Quanto ao nome da cadela, como tb sabes, foi-lhe posto pela madrinha (exactamente pq lhe pôs o nome) e quer dizer cadela em russo, por isso, o nome que escrevi está em círilico (mais precisamente cýka).
Sim, o miúdo é espectacular, nunca disse que não... Tem poucas birras, mas isso tb será objecto de uma posta... qdo tiver mais tempo...
O Benfica jogou ontem...
Os bifes ficam para quando combinarmos... mas não me parece que ele possa comer, pq só lá para dia 20 é que começa a e vai começar por papas Cerélac, mas com glúten, a adaptação aos sólidos é lenta e faseada.
Quanto às cólicas, Mi... Atalaia, AAAAAHHHHHH!!!!!!!
;-)
D.

Atalaia disse...

Pois agora fica Sica!!!
E vê lá se dá pra fazer o upgrade ao miúdo. Tipo Kit-Interactivo com módulo de digestão de sólidos... afinal estamos no natal e temo que lhe arranjar uma prenda. Se já existem bonecos que contam histórias e abanam as orelhas, tambem haver Upgrades 3G pros miudos, ou não?

D. disse...

Mas aquela palavra lê-se suka.

CM disse...

É o que dá pores-te a escrever em cirílico num blog portuga! ninguém te entende....
Gostei muito deste teu post. A verdade é que cada vez que alguém tem um puto parece que lhe põem uma cassete no cérebro: lindo, relação mãe-filho, bla bla bla. Ninguém menciona as partes difícieis (isso não interessa a ninguém...). É bom ver alguém a falar de modo saudável sobre essas coisas.
Afinal as fêmeas não são super-humanas, uma mãe não nasce ensinada coisa nenhuma e é preciso um encaixe e adaptação que, no século XXI, deve ser muito mais difícil do que há apenas 50 anos atrás. Ainda somos feitas para parir, sim senhor, o problema é que já não temos "só" essa função, e a malta baralha-se. Bom mesmo é ter a ajuda dos nossos machos, afinal de contas, agora, estamos todos no mesmo barco.